Eu sei que atrás deste universo de aparências, das diferenças todas, a esperança é preservada.
Nas xícaras sujas de ontem o café de cada manhã é servido. Mas existe uma palavra que não suporto ouvir, e dela não me conformo.
Eu acredito em tudo, mas eu quero você agora.
Eu te amo pelas tuas faltas, pelo teu corpo marcado, pelas tuas cicatrizes, pelas tuas loucuras todas, minha vida.
Eu amo as tuas mãos, mesmo que por causa delas eu não saiba o que fazer das minhas.
Amo teu jogo triste.
As tuas roupas sujas é aqui em casa que eu lavo.
Eu amo a tua alegria.
Mesmo fora de si, eu te amo pela tua essência. Até pelo que você poderia ter sido, se a maré das circunstâncias não tivesse te banhado nas águas do equívoco.
Eu te amo nas horas infernais e na vida sem tempo, quando, sozinha, bordo mais uma toalha de fim de semana.
Eu te amo pelas crianças e futuras rugas.
Eu te amo pelas tuas ilusões perdidas e pelos teus sonhos inúteis.
Amo teu sistema de vida e morte.
Eu te amo pelo que se repete e que nunca é igual.
Eu te amo pelas tuas entradas, saídas e bandeiras.
Eu te amo desde os teus pés até o que te escapa.
Eu te amo de alma para alma. E mais que as palavras, ainda que seja através delas que eu me defenda, quando digo que te amo mais que o silêncio dos momentos difíceis, quando o próprio amor vacila.
Fiz meu rancho na beira do rio Meu amor foi comigo morar E nas redes nas noites de frio Meu bem me abraçava pra me agasalhar Mas agora, meu Deus, vou-me embora Vou-me embora e não sei se voi voltar A saudade nas noites de frio Em meu peito vazio virá se aninhar
A saudade é dor pungente, morena A saudade mata a gente, morena A saudade é dor pungente, morena A saudade mata a gente
Amando noites afora fazendo a cama sobre os jornais Um pouco jogados fora um pouco sábios demais Esparramados no mundo molhamos o mundo com Delícias As nossas peles retintas de notícias Amando noites a fio Tramando coisas sobre os jornais Fazendo entornar um rio E arder os canaviais Das páginas flageladas sorrimos, mãos dadas E, inocentes Lavamos os nossos sexos nas enchentes Amando noites a fundo tendo jornais como cobertor Podendo abalar o mundo No embalo do nosso amor No ardor de tantos abraços caíram palácios, ruiu Um império Os nossos olhos vidrados de mistério
Como esta noite findará E o sol então rebrilhará Estou pensando em você... Onde estará o meu amor? Será que vela como eu? Será que chama como eu? Será que pergunta por mim Onde estará o meu amor
Se a voz da noite responder Onde estou eu, onde está você Estamos cá dentro de nós Sós... Onde estará o meu amor?
Se a voz da noite silenciar Raio de sol vai me levar Raio de sol vai lhe trazer Onde estará o meu amor?